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Rede de Terrorismo Internacional com Raízes no Brasil Revelada pelo Mossad

Relatório exclusivo do Mossad revela a presença e atividades de membros da Jihad Islâmica no Brasil, conectados aos atentados dos anos 90 na Argentina.

08/07/2024 às 18h00
Por: Redação Fonte: Redação
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Hussein Ali Gharib, um dos membros da Jihad Islâmica que continua operando um negócio no centro de São Paulo, trinta anos após os atentados na Argentina.
Hussein Ali Gharib, um dos membros da Jihad Islâmica que continua operando um negócio no centro de São Paulo, trinta anos após os atentados na Argentina.

Dez dias após o 30º aniversário do atentado contra a Associação Mútua Israelita Argentina (AMIA), uma reportagem exclusiva da mídia argentina Infobae revelou novas informações sobre os dois ataques que abalaram a Argentina nos anos 90. Além do atentado à AMIA, dois anos antes, em 17 de março de 1992, ocorreu outro ataque devastador contra a Embaixada de Israel em Buenos Aires, resultando na morte de 29 pessoas e mais de cem feridos.

O dado surpreendente que o Infobae agora divulga é que, de acordo com um relatório do serviço de inteligência israelense Mossad, parte da rede responsável pelo financiamento e logística do ataque à Embaixada continuou ativa no Brasil mesmo após os dois massacres. Alguns membros dessa rede se estabeleceram permanentemente no país ou possuem empresas ainda em operação.

O relatório da Mossad, intitulado “Irão-Líbano/Hezbollah/ESO/Jihad Islâmica – Ataque à Embaixada de Israel – Relatório Final”, foi divulgado exclusivamente pela Infobae em 2022, junto com outro relatório sobre a AMIA. O serviço de inteligência israelense identificou o “regime iraniano e o Hezbollah, através da sua organização Jihad Islâmica”, como responsáveis por ambos os ataques.

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A ESO, ou Organização de Segurança Externa, também conhecida como Jihad Islâmica ou Unidade 910, tem como missão “estabelecer infraestruturas logísticas e operacionais para realizar ataques fora do Líbano em escala global”. A Jihad Islâmica foi fundada em meados da década de 1980 por Imad Mugniyah, um dos fundadores do Hezbollah, e Talal Hamiyah, um dos principais comandantes do grupo terrorista, com o apoio do Irã, especialmente do seu Ministério de Inteligência e da Força Quds. A Força Quds é a divisão de inteligência militar do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), designada pelos Estados Unidos como grupo terrorista.

A Jihad Islâmica é organizada em diversos departamentos, incluindo um especificamente voltado para a América Latina. No dia seguinte ao atentado contra a AMIA, houve uma explosão de um avião da empresa Alas Chiricanas, que voava de Colón para a Cidade do Panamá, resultando na morte de 21 pessoas, incluindo 12 judeus. Entre os corpos, apenas um não foi reivindicado por familiares, o de um homem chamado Jamal Lya, que é considerado o possível terrorista suicida.

O relatório da Mossad sobre o ataque à embaixada de Buenos Aires em 1992 detalhou as duas fases principais do modus operandi dos terroristas. A decisão de atacar a Argentina foi tomada em 1988, com planos para execução em fevereiro de 1992. A primeira fase envolveu a “criação de uma infraestrutura” que incluía o aluguel de um armazém, a compra de materiais explosivos, a coleta de informações sobre o país e suas fronteiras, e a aquisição de um veículo. Na segunda fase, uma célula operacional composta por quatro ou cinco membros foi enviada do Líbano para realizar o ataque.

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O relatório também revelou que alguns membros libaneses da Jihad Islâmica estavam presentes no Brasil pelo menos um ano antes dos ataques, começando a estabelecer uma rede logística. Informações exclusivas do Infobae indicam que alguns desses membros ainda residem no Brasil ou possuem empresas ativas. Um desses indivíduos é Hussein Ali Gharib, identificado como “membro da Jihad Islâmica” pelo relatório do Mossad.

Trinta e dois anos após o ataque à embaixada de Israel, Gharib continua vivendo no Brasil. No centro de São Paulo, ele possui um pequeno negócio de venda de assistência técnica e acessórios para celulares, aberto em 2002 e ainda em funcionamento. Gharib viaja frequentemente para o Líbano. De acordo com o relatório do Mossad, ele foi preso em 19 de julho de 1993 no aeroporto de Beirute por transportar US$ 120 mil falsificados enquanto se preparava para embarcar em um navio para o Brasil. Junto com ele, foi detido outro membro da Jihad Islâmica, Ghaleb Hassan Hamdar, cujo filho, Mohammad Ghaleb Hamdar, foi preso no Peru em 2014, acusado de planejar um atentado terrorista do Hezbollah no país sul-americano, e absolvido em abril do ano passado.

Segundo o relatório do Mossad, Ghaleb Hassan Hamdar trabalhou para a Sandobad, uma empresa brasileira registrada como confecção no centro de São Paulo, onde Hussein Ali Gharib era sócio, embora seu nome tenha sido erroneamente registrado como Hussein Ali Charib. O Mossad considera altamente provável que a Sandobad tenha feito parte da infraestrutura de transferência de fundos para as despesas logísticas do ataque de 1992.

A empresa foi aberta em São Paulo em 16 de janeiro de 1991 por Gharib e outros dois sócios, Hassan Suleiman Abu-Abbas e Khaled Mohammad Kassem. Hassan Suleiman Abu-Abbas, registrado como Hassan Mohamad Sleiman no cartório brasileiro, ainda reside com sua família em São Paulo, para onde se mudou no final da década de 1980 vindo do Líbano.

O relatório da Mossad descreve Hassan Suleiman Abu-Abbas como membro da Jihad Islâmica e da célula logística de 1992, que ocasionalmente viaja para o Líbano. Ele é acusado de ter participado do sequestro de ocidentais no Líbano nos anos 80 e era próximo de Imad Mugniyah. Seu irmão, Hussein Suleiman Abu-Abbas, foi um dos principais responsáveis pelo atentado de 1992, transportando C4 e TNT escondidos em frascos e caixas de xampu e chocolates, uma técnica utilizada pelo Hezbollah em outras partes do mundo, como no ataque fracassado de 1994 em Bangkok, Tailândia.

Hussein Suleiman Abu-Abbas levou os detonadores em uma bagagem de mão de 5 quilos em um voo comercial de Beirute para Buenos Aires. Considerado pelo Mossad como membro do grupo operacional, Hussein Suleiman Abu-Abbas agora provavelmente reside no Líbano, mas mantém contato frequente com seus familiares no Brasil. De acordo com o relatório, ele desembarcou no Brasil pela Tríplice Fronteira em abril de 1991, encontrando-se com seu irmão Hassan em Ciudad del Este, Paraguai, que o ajudou a entrar ilegalmente no Brasil por Foz do Iguaçu.

Os dois se mudaram para São Paulo, onde Hussein trabalhou para a Sandobad, que também dirigia um pequeno restaurante de culinária libanesa. Hussein agiu de acordo com os procedimentos da Jihad Islâmica, enviando para Talal Hamiyah, então vice-comandante do grupo, os dados de contato de seu irmão Hassan no Brasil para serem utilizados em caso de necessidade.

Três meses depois, em julho de 1991, Hussein se encontrou no Brasil com Talal Hamiyah, que chegou acompanhado de um libanês que se identificou como Said Ezz-Eldin, mas que na verdade era Hussein Ahmad Karaki, um agente da Divisão Palestina da Jihad Islâmica. Karaki tornou-se o contato de Hussein na América Latina por ordem de Talal Hamiyah. Os dois passaram a se encontrar regularmente na Tríplice Fronteira. Em um desses encontros, Karaki sugeriu que Hussein fosse com ele para a Argentina, alugasse um apartamento em Buenos Aires e se matriculasse em algum curso.

Da redação Ponto Notícias l Com informação Raul Holderf Nascimento *CP

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